PORTFÓLIO

"EDUCAR É MOSTRAR A VIDA A QUEM AINDA NÃO A VIU..."
"Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido." RUBEM ALVES

Este blog traz a experiência de grupos de professores que estão participando do curso de formação Pro-letramento: Alfabetização e Linguagem
( Afonso Cláudio/ES -2009).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

UNIDADE II


A monitoração na fala e na escrita

Refletimos bastante sobre a monitoração da própria linguagem, bem como as circunstâncias onde nos monitoramos mais. Expus em ppt quadrinhos do Chico Bento, cujo episódio era "O orador da turma" no intuito de ilustrar a discussão em torno da tendência que temos "a nos monitorar mais na escrita do que na fala, mas tanto em uma quanto na outra o grau da monitoração que vamos aplicar depende do papel social que estamos desempenhando."



Depois fizemos uma explanação das respostas de cada cursista sobre a primeira atividade de reflexão sobre a monitoração da fala.


Lemos o Relato 2 e as turmas foram dividas em grupos para lerem, refletirem e explanarem as ideias em torno dos seguintes itens:


- Reflexão sobre regras variáveis freqüentes nas comunidades de fala no campo e nas cidades


- Reflexões sobre a fala espontânea das crianças

- Reflexão sobre falares de comunidades do campo e das cidades


- Reflexão sobre normas de adequação no uso da língua oral

- Reflexão sobre a integração dos saberes da oralidade na construção da escrita



domingo, 26 de abril de 2009

MODOS DE FALAR E MODOS DE ESCREVER

REDAÇÃO CRIATIVA E VENCEDORA

Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte

pergunta:

Você tem experiência?

A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso...

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.

Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.

Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina.

Sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim.

Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: Qual a sua experiência? Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência...

Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não!!! Talvez eles não sabiam ainda colher sonhos!

Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:

EXPERIÊNCIA?

Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?

O texto acima foi debatido no primeiro encontro de estudo do fascículo 7. Iniciei o encontro questionando os cursistas a respeito da seguinte questão: É MAIS FALAR OU ESCREVER? A maioria disse que é mais fácil falar do que escrever.

Apresentei para eles, em seguida, duas redações: uma de um aluno meu, que estuda no primeiro ano do Ensino Médio e a outra é esta, Você tem experiência?.

A leitura dos textos teve como objetivo, instigar os cursistas a respeito de suas experiências enquanto falantes e escritores.


Depois fizemos a leitura da introdução do fascículo e assistimos ao vídeo Relato 1. Terminamos o encontro ratificando nossas ideias iniciais sobre a diferença entre falar e escrever.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

ANÁLISE DA PROVINHA BRASIL


E...
Para concluir Questões sobre Avaliação propus em nosso terceiro encontro do fascículo 2 uma análise da Provinha Brasil. Dividi os professores em grupos e separei questões da provinha para serem analisadas de acordo com os passos seguintes:
  • Identificar qual capacidade está sendo avaliada?
  • Quais descritores são verificados?
  • Quais atividades sugeridas no fascículo 2 são similares às questões?
  • Qual a opinião do grupo em relação à Provinha Brasil?
A atividade teve como objetivo inicial o estudo e análise da Matriz de referência da avaliação diagnóstica a partir de análise das questões da Provinha Brasil e também analisar a Provinha como um dos instrumentos possíveis da avaliação diagnóstica.

"A Provinha Brasil é uma avaliação diagnóstica aplicada aos alunos matriculados no segundo ano do ensino fundamental. A intenção é oferecer aos professores e gestores escolares um instrumento que permita acompanhar, avaliar e melhorar a qualidade da alfabetização e do letramento inicial oferecidos às crianças. A partir das informações obtidas pela avaliação, os professores têm condições de verificar as habilidades e deficiências dos estudantes e interferir positivamente no processo de alfabetização, para que todas as crianças saibam ler e escrever até os oito anos de idade, uma das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)."
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=211&Itemid=328

Foi muito produtivo o encontro; a análise foi bastante proveitosa para o estudo e o entendimento da Matriz de referência da avaliação diagnóstica e a opinião da maioria dos cursistas em relação à Provinha Brasil, mudou depois do estudo da mesma. Muitos professores que antes consideravam a Provinha como fácil e "boba", tiveram um melhor entendimento sobre a forma como foi elaborada.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"É PRECISO EXIGIR DE CADA UM O QUE CADA UM PODE DAR..."Antoine de Saint-Exupéry


Nossas trocas de experiências estão sendo muito importantes e valiosas. As discussões são enriquecedoras e produtivas. Aos poucos os professores estão habituando a registrar em nosso 'diário de bordo' suas opiniões, suas reflexões...

A propósito, o poema abaixo é um ótimo texto para reflexão do quanto crescemos convivendo com os outros. Vale a pena ler e pensar a respeito!!

Palavras e Pessoas


Sozinhos.
Somos apenas palavras.

Significativos, sim!

Mas limitados, isolados,

às vezes perdidos,
fechados em nossas próprias concepções e valores.

Sozinhos somos palavras soltas,

pouco valem, pouco agregam.

Meras interjeições

na entrelaçada sintaxe cotidiana.

Mas juntos... juntos somos frase, somos texto,
somos conto, crônica,

somos poema...

Juntos significamos mais,

fazemos mais sentido,

juntos ampliamos o nosso valor,
agregando valor aos outros.
Juntos acontecemos,
realizamos, completamo-nos.

Juntos somos.
Coletividade que complementa individualidades,

Individualidades que enriquecem a coletividade.
Trocas mútuas que amplificam mundos particulares,

particularidades que unem-se em coesão,
sentido multiplicado, comunhão.

Pessoas singulares, sim!

Mas com redobrada capacidade de significar.

Palavras em envolvente amplexo.


ADELMA LÚCIA


domingo, 5 de abril de 2009

FASCÍCULO 2


RELATO DE PROFESSOR

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota 'zero'. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.
Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte:
'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.'
Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredito. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.
Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder.Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor.
Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:
'Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmulah = (1/2)gt^2calcule a altura do edifício.'
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro."
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício."
"Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se a altura do edifício em unidades barométricas."
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença."
"Finalmente", concluiu, "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se:
'Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.'"
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

PATRICK WAJNBERG

Foi com esse texto que iniciamos o estudo do fascículo 2 - ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: QUESTÕES SOBRE AVALIAÇÃO. Fizemos leitura do mesmo e analisamos várias questões levantadas sobre AVALIAÇÃO. Depois desenvolvi algumas atividades:
- Para você, o que é avaliar?
- O que e quem avaliar?
- Para que avaliar?
- Quando avaliar? Registre
- Faça um “bate bola” em dupla e fale sobre o significado e usos das avaliações:

Diagnóstica
• Formativa
• Somativa

Registre o que é consenso da dupla.

Os objetivos:
- Refletir sobre os próprios conceitos de avaliação.
- Enriquecer conceitos com as contribuições do grupo e da teoria
- Analisar os próprios conhecimentos e os de colegas à luz da teoria adotada.
- Contribuir para o avanço da teoria e da prática de sujeitos co-responsáveis pelo processo de avaliação.

3º ENCONTRO - Oficinas de Aprendizagem


No início do terceiro e último encontro de estudo do fascículo 1, foi dado um tempo para a organização dos grupos e depois iniciaram a apresentação das atividades.

Todos os grupos (das três turmas) do primeiro eixo “compreensão e valorização da cultura escrita” trouxeram muitas sugestões de atividades para desenvolver as capacidades, conhecimentos e atitudes. Destaque para grupo que trouxe vários gêneros textuais e montou na sala o cantinho da leitura e apresentou para a turma uma dramatização, cujo tema: “As frutas”.














Já no segundo eixo “apropriação do sistema de escrita” os grupos trocaram ideias com professoras alfabetizadoras, pesquisaram atividades e as apresentaram para os outros cursistas. Destaque para o grupo que sugeriu e desenvolveu atividades com rótulos














Em relação à “leitura”, terceiro eixo de estudo, os grupos também trouxeram várias atividades e sugestões de projetos. Destque para "O Trenzinho da Leitura."














Os grupos que estudaram o quarto eixo “produção de textos escritos” também trabalharam com diversos gêneros textuais e sugeriram várias atividades relacionadas.













Os últimos grupos, cujo eixo trabalhado foi “desenvolvimento da oralidade”, também trouxeram muitas sugestões de atividades relacionadas. Desenvolveram atividades com músicas, cantigas de roda, conversa ao telefone, fantoches, entre outras atividades... Destaque para o grupo que iniciou sua apresentação através de uma dramatização com fantoches e também algumas cursistas falaram da experiência de trabalho com alunos portadores de necessidades especiais, alunos surdos e que a comunicação com eles é através da linguagem de sinais – LIBRAS.













Após a apresentação de cada grupo, nós discutimos e analisamos cada item abordado nos quadros das capacidades para a ratificação dos conteúdos e melhor compreensão e assimilação pelos cursistas. A avaliação dos trabalhos foi feita de forma oral e todos os grupos gostaram das oficinas e consideraram as apresentações muito produtivas, e também através de registros no diário de bordo e portfólios.


2º ENCONTRO


No segundo encontro, fizemos então uma discussão em torno dos verbetes da primeira unidade do fascículo, contrapondo as ideias iniciais relatadas pelos cursistas com as ideias apresentadas no fascículo. Depois introduzimos o estudo da segunda unidade “As capacidades lingüísticas da alfabetização” lendo e analisando a primeira parte para melhor compreensão dos cursistas a respeito da terminologia adotada na proposta de estudo.

Após a leitura e análise houve, portanto, um entendimento prévio a respeito dos “eixos necessários à aquisição da língua escrita” e também da forma como são abordados no fascículo, então foram divididos grupos de estudo dos eixos e elaboração de atividades para serem apresentadas no terceiro encontro em oficinas de aprendizagem.